Para levar uma vidinha sossegada e livre de apertos, basta seguir uma orientação muito simples. Nunca tocar nas vacas sagradas. Se nunca confrontares ou puseres em causa as esferas de poder, ninguém te vai incomodar. Dinheiro, religião, política. Não é por acaso que a junção das três num ponto único gera poder absoluto.
Chegados aí, removendo do cidadão comum a capacidade de pensamento abstracto complexo, transforma-se a população em gado. É nesta altura que se queimam livros.
Dizem os entendidos, o incêndio que destruiu a biblioteca de Alexandria, atrasou a evolução da humanidade em mais de mil anos. A santa inquisição, o index, e todo o património intelectual refém das catacumbas do Vaticano, fez a mesma coisa. A interpretação ora literal ora colorida conforme conveniência, do Corão, igualmente. O judaísmo, caracterizado pela subtileza ao longo dos séculos, actualmente desistiu da força da razão e opta pela razão da força, também baseado intelectualmente em interpretações literais ou coloridas conforme conveniência, dos seus pergaminhos sagrados.
Na realidade, tudo isto, só tem um motivo ulterior: o poder. Apesar do cinismo evidente, quem pretende mandar, apoia-se em figuras imaginárias, reúne o máximo de capacidade financeira possível, instrumentaliza um modelo de organização social tão maleável quanto a hipocrisia de quem o influencia. As três esferas, intocáveis.
Tudo o resto é folclore.
Com a maioria da população incapaz de compreender o que se passa e, a minoria capaz de perceber o que se passa, a tentar infrutiferamente descortinar um objectivo maior que justifique o jogo, o tabuleiro vai ardendo.
Séculos atrás, a consanguinidade fez ruir a monarquia. Sabemo-lo por retrospectiva. Já no modelo democrático, os impérios ruiram, pela economia. Também o sabemos por retrospectiva. Talvez uma IA descontrolada faça ruir a economia. Caso aconteça, devemos ter muito cuidado ao escrever aquilo que virão a ser os pergaminhos sagrados do futuro. A sublevação do cidadão comum a derrotar o poder irracional e cruel, não passa de romantismo. É sensato registar informação mais pertinente acerca da mecânica humana.
"Não sei como será a terceira guerra mundial. Mas a quarta, será com paus e pedras."
Albert Einstein

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