Digo os jornais, partindo do pressuposto que, a posição de redactor e editor ainda existem. Responsáveis por decidir a qualidade dos conteúdos, fraquejam perante a pressão.
Ou, o parque disponível de onde os seleccionam, caiu na mediocridade generalizada. Se assim for, a responsabilidade é partilhada entre os criadores de conteúdos e os incapazes que continuam a escolhê-los, só porque não há mais nada. A pedagogia a que fui sujeito, condena-me a permanecer calado se não tiver nada de pertinente para dizer. Aparentemente, não é transversal.
Opinadores pertinentes de outrora, apontam o dedo acusador, "...os ignorantes que escrevem só porque podem, julgando-se por isso artistas...", fingindo que, ao fazê-lo, eles próprios não estão a decalcar exactamente a mesma coisa.
Protagonismo passado não move moinhos. Credibilidade não é pensão vitalícia.
E ainda, temas tão interessantes como a dualidade da produtividade entre fumadores e não fumadores enquanto funcionários por conta de outrem, injustiça escandalosa entre quem interrompe o trabalho para ir fumar o cigarrinho e quem não larga o posto de trabalho nem por nada, nunca. Temáticas a ocupar lugares privilegiados em jornais nacionais e, com direito a divulgação massiva nas redes sociais. Cronistas de gabarito reduzidos a chapinhar na lama. Brio, é a expressão que estão à procura. A preceder, extinto.
Percebo que neste panorama faça todo o sentido determinadas personalidades optarem por inaugurar os seus próprios canais, as suas próprias publicações, independentes e autónomas. As chancelas instituídas, hoje, afundam-se no lodo, significam zero. E estão a um passo de cair na sepultura que eles próprios cavaram. Ao subjugarem-se em servidão aos accionistas, chegam agora à conclusão que o popularucho não é cotado em bolsa. Qualidade, seja no que for, a malta já sabe que custa dinheiro. Não é preciso explicar nem argumentar, estamos dispostos a pagar. Mas esta malta não consome o suficiente para gerar lucro que satisfaça a fome dos accionistas.
Temos pena.
Por isso é que eu escrevo. Porque posso.




