Quando pedem, ou exigem, a um fotógrafo que as imagens produzidas tenham X dpi (dots per inch, em português: pontos por polegada, ou ppp), só quer dizer uma de duas coisas. Ou quem está a pedir/exigir não percebe nada de fotografia, ou, estão a preparar-se para puxar o tapete ao fotógrafo.
A resolução de uma fotografia digital quantifica-se em pixeis. Uma determinada quantidade de pixeis na horizontal, outra na vertical. A não ser que a fotografia seja um quadrado perfeito, os valores horizontais e verticais diferem na proporção do formato. Por sua vez, os dpi medem a resolução de impressão da foto, independentemente da resolução em pixeis que ela possa ter e, não são proporcionais ao formato, é um valor absoluto para a mancha de impressão. Seja 4:3, 16:9, em A4, A3, A2, o que for, a mancha de impressão é constituída por aqueles X dpi. Só faz sentido falar em dpi num contexto de impressão, de resto é idiotice.
Se o pedido ou exigência considera dpi, quer dizer que o trabalho contratado ao fotógrafo vai culminar numa impressão.
Sendo destinado a impressão, há uma série de considerações que o fotógrafo tem de ponderar. Compensações de sombras e altas luzes, gama de meios tons, consoante o tipo de meio físico onde vai ser impresso: papel comum (que gramagem?), papel fotográfico (que tipo?), pvc expandido, k-line, tintas da impressora (gama cromática? Glossy, matte?). Tudo isto condiciona a preparação de uma imagem para impressão. Tudo isto influencia o resultado final e, potencialmente adultera a obra que o fotógrafo intencionalmente produziu.
Quem pede dpi e não informa mais nada, nem sequer a dimensão da impressão, ou é ignorante ou é mal intencionado. Frustração e desilusão são habitualmente o resultado. Controlar todo o processo devia ser predicado do fotógrafo. Infelizmente é raro acontecer.




