28/05/2026

Chronicles

Repetindo-me, por diversas vezes opinei sobre as negatividades das redes sociais. Ora por as redes sociais actuarem como catalisador da decadência, ora por serem montras dessa mesma decadência. Também repetindo, as redes sociais são o carrasco da comunicação social, condenada à mediocridade como estratégia para angariar audiências. Os jornais, principalmente os considerados de topo, pela idoneidade, pela credibilidade, pela qualidade, também vergaram, fustigados pelos ventos ciclónicos da autoestrada da informação.

Digo os jornais, partindo do pressuposto que, a posição de redactor e editor ainda existem. Responsáveis por decidir a qualidade dos conteúdos, fraquejam perante a pressão.
Ou, o parque disponível de onde os seleccionam, caiu na mediocridade generalizada. Se assim for, a responsabilidade é partilhada entre os criadores de conteúdos e os incapazes que continuam a escolhê-los, só porque não há mais nada. A pedagogia a que fui sujeito, condena-me a permanecer calado se não tiver nada de pertinente para dizer. Aparentemente, não é transversal.

Opinadores pertinentes de outrora, apontam o dedo acusador, "...os ignorantes que escrevem só porque podem, julgando-se por isso artistas...", fingindo que, ao fazê-lo, eles próprios não estão a decalcar exactamente a mesma coisa.
Protagonismo passado não move moinhos. Credibilidade não é pensão vitalícia.

E ainda, temas tão interessantes como a dualidade da produtividade entre fumadores e não fumadores enquanto funcionários por conta de outrem, injustiça escandalosa entre quem interrompe o trabalho para ir fumar o cigarrinho e quem não larga o posto de trabalho nem por nada, nunca. Temáticas a ocupar lugares privilegiados em jornais nacionais e, com direito a divulgação massiva nas redes sociais. Cronistas de gabarito reduzidos a chapinhar na lama. Brio, é a expressão que estão à procura. A preceder, extinto.

Percebo que neste panorama faça todo o sentido determinadas personalidades optarem por inaugurar os seus próprios canais, as suas próprias publicações, independentes e autónomas. As chancelas instituídas, hoje, afundam-se no lodo, significam zero. E estão a um passo de cair na sepultura que eles próprios cavaram. Ao subjugarem-se em servidão aos accionistas, chegam agora à conclusão que o popularucho não é cotado em bolsa. Qualidade, seja no que for, a malta já sabe que custa dinheiro. Não é preciso explicar nem argumentar, estamos dispostos a pagar. Mas esta malta não consome o suficiente para gerar lucro que satisfaça a fome dos accionistas.
Temos pena.

Por isso é que eu escrevo. Porque posso.

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