domingo, 17 de julho de 2016

sábado, 9 de julho de 2016

Fittest. Not brightest.

Não deve haver pior dor que, a do predador, ao aperceber-se que já não constitui ameaça á sua presa.
Pior que morrer á fome, é a perda de o respeito.
No momento seguinte, sim. Interioriza-se que o fim é uma realidade e, está próximo. Mas no instante zero... Aquele cagagésimo de segundo. Ver olhos nos olhos um "Olha-me este merdas a pensar que está à altura...!!", é devastador.
Devia existir um mecanismo natural, biológico, que, chegado este momento, terminasse a vida. Instantâneamente. Naquele espacinho de tempo que leva a formar-se o pensamento. Poupava a humilhação. E de algum modo, seria higiénico.
A derrota só se torna relevante quando intrínseca á sobrevivência.
Todas as outras derrotas, são apenas lições de vida. Derrotas menores. Live to fight another day. Aprender ou não com elas, é opcional. Provavelmente, ignorando as lições das derrotas menores, está-se menos preparado para a tal. A relevante. Daí o choque. A dor.
O predador esperto, chegado o momento, ficará satisfeito com presas mais fáceis, doentes, velhas, infantis... Sofre a dor á mesma mas, aprende a viver com ela. Um acordo tácito. Respirar mais um dia, não parece ser uma recompensa magra. Imbecil.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

MHLA

Quando tiver desaparecido a ultima pessoa que, sabe quem tu és, sabe como tu és, sabe como tu funcionas. A ultima para a qual és verdadeiramente transparente, sem filtros, sem tretas. Terás a verdadeira percepção do teu eu.
Apenas e só, quando estiveres só. Absolutamente só.
Só pela irreversibilidade crescemos.
Até lá, tudo é garantido. Há sempre alguem que nos define. Mesmo quando, acima de tudo, quando, nós proprios, andamos á deriva. E nem um espelho nos elucida.

Não é quantificável a perda, directamente proporcional ao ganho. No free meals.

Não dá mais que isto. Sigo o exemplo, faço o que posso, com aquilo que tenho. O peso é enorme. Desculpa Mãe (retórica, eu sei).

sábado, 7 de fevereiro de 2015

domingo, 25 de janeiro de 2015


DJentlemen

Acho que os DJ's leram a frase "Jesus is coming. Look busy." e levaram-na a sério. Demasiado a sério. Cada um é livre de acreditar na personagem imaginária que bem entender. Mas isto é ridiculo.

Sinceramente meus caros, acham mesmo que, a malta engole todo esse mexer continuamente em potenciómetros da mesa de mistura e carregar em botões de efeitos nos players, (ou simulação de), esse continuo pô...r e tirar de auscultadores, por duas pessoas em simultâneo (ou mais), durante horas a fio, como sendo a actividade que efectivamente gera todo o som que está a sair pelas colunas?

Acham mesmo que, a malta por muito ignorante que seja, por muito etilizada que esteja, desconhece por completo a função dos botões "Stop" e "Play"?

Acham mesmo que, é credível, mais de três horas de musica (conceito discutível, neste contexto) serem produzidas exclusivamente por loops manipulados em tempo real?
Se um musico fizesse exactamente a mesma coisa que vós, tocar durante três horas sempre os mesmos acordes, á mesma velocidade, qual seria a reacção/opinião do publico?

Acham mesmo que, os milhares de euros gastos nesses equipamentos, são a mesma coisa que os milhares de euros gastos num instrumento musical?

Acham mesmo que, passar mais de três horas a manipular loops sempre com o mesmo tempo... (oops, cadência, que tempo é para musicos), vos dá algum tipo de noção de ritmo, compasso, andamento?

Acham mesmo que, um crescendo, só se obtem acelerando progressivamente a cadência? Isto presumindo que sabem o que é um crescendo.

Acham mesmo que, fazer uma mistura, se resume a acertar a batida de duas musicas (automaticamente, porque manualmente já não vejo nenhum DJ fazê-lo há anos, muitos anos)? Fazendo tábua rasa de toda uma palete tónica?

Acham mesmo que, a malta não se apercebe da vossa ENORME ignorância musical? Tanto técnica como cultural?

Quanto ao conteúdo, ouçam o vosso proprio set, sãos, sem qualquer tipo de substância alteradora do processo cognitivo. E depois digam-me alguma coisa.
Quanto á postura, menos foclore e mais serviço, por favor.

PS - Há excepções. Claro. O Barrete, só o usa quem lhe serve.

domingo, 2 de novembro de 2014


Os universos perpendiculares e o equilibrio dinâmico.

Em amena cavaqueira, um amigo mencionou que está casado há mais de trinta anos. Sempre com a mesma pessoa. Pasme-se. Uma união entre duas pessoas, durar tanto tempo, não é assinalável. Uma relação entre duas pessoas, durar tanto tempo, já é.
Quando este tema é abordado, invariavelmente, os porquês da longevidade da vida a dois são enumerados, quais medalhas orgulhosamente exibidas. Ou cicatrizes. ...Ou ambas.
A minha reação a esta constatação em tom de confidencia, é... Nada. No extremo, um "OK, Está bem!" será o máximo que me conseguem arrancar. Á laia de “O que quer que seja que vocês andam a fazer, continuem a fazê-lo. Pois aparentemente, está a resultar”. Os casos de sucesso não me movem. Estou mais interessado nos pormenores dos falhados.
O falhanço é algo que estimo. É preciso mais. Mais de tudo. Para assumir o falhanço.
Simular o sucesso, é cobarde. Além de pouco original.
A esses, o que os motiva a viver a mentira? Os filhos. Os compromissos assumidos. A familia. A sobrevivência. O interesse. O inevitavel julgamento social. Em suma: O medo.
O passo da ruptura é evitado a todo o custo. O medo impõe-se. Sobrepõe-se.
Como saída, remendam-se mais mentiras. Determina-se convictamente o direito a ser feliz. Com a companhia oficial, ou com a amizade colorida. Com a amizade colorida, decide-se que essa felicidade será obtida à cadência máxima permitida por cada novo ritual de acasalamento. Muito secreto. Muito “Hush, hush!”. Claro. Embora a alma gémea da noite anterior, se revelar repelente na manhã seguinte, desgrenhada, com olheiras e mau hálito, repete-se o exercício. Uma. E outra vez.
Com sexo, muito sexo, a vida sorri. O ego leva com um compressor volumétrico e debita potência para dar e vender. A felicidade é medida pela intensidade e número de orgasmos alcançados. Passado um tempo, indiferentes, automáticos. Muitas amizades coloridas depois, fingidos. Por obrigação. E a mentira torna-se omnipresente.
Livre de opinião ou prisma. A mentira pura e simplesmente, é.

Viver com alguem? E viver com nós proprios?
Isso sim. É assinalável. Merece ritual de passagem. Merece um piercing ou uma tatuagem.
Conhecendo-nos, sabemos o queremos. Mais importante, sabemos o que não queremos. A felicidade que achamos que temos direito, delinia-se como algo a construir. E não correr atrás. Ou esperar que surja por geração espontânea. Assumir a responsabilidade pelo rumo. Afinal resume-se a isso. Não o deixar entregue ao sabor das frustações. Ou pior, sujeito ás necessidades da mentira. Deixa de fazer sentido.
Se calhar reside aí a chave mestra. Primeiro aprendemos a viver com nós proprios. A seguir, com outrem. Em simultâneo... Provavelmente demora mais de trinta anos.

Times, they are changing.

Por não ter ainda contribuído para a perpetuação da espécie, não acompanhei a evolução dos tempos no que respeita a programas lectivos, ou programas curriculares. Lembro-me como era na minha altura. Há séculos atrás. Depois disso, ignoro absolutamente as metodologias empregues no ensino.
Como cidadão minimamente informado, sei que houve grandes alterações. Quais…? Ignoro.
Nos contactos sociais fur...tuitos com gerações mais novas, deduzo que, nem todas essas alterações e remodelações, foram coroadas de sucesso.

Recordo-me que o domínio da língua materna se iniciava com a cópia. Era apresentado um texto e os alunos copiavam-no. O passo seguinte era o ditado. O professor ditava um texto e os alunos escreviam. O patamar final era a redacção. Era proposto um tema, um tópico. E os alunos desenvolviam-no, pelos seus próprios meios.
A mesma fórmula acontece nas artes. Música, artes gráficas, literatura. Primeiro aprende-se a executar algo já feito. Copia-se. E vai-se evoluindo, até o individuo ser capaz de criar as suas próprias obras. Perdoem-me a visão muito macro.
Esta metodologia era empregue na escola primária. Nos primeiros quatro anos de ensino, onde a idade inicial dos indivíduos seria de cinco ou seis primaveras. E chumbava-se. Sim, isso era possível.
Além da lição sobre o domínio da língua materna, falada e escrita, aprendia-se algum nível de responsabilidade. Para alguns, o primeiro que tiveram contacto.

O objectivo pretendido com o exercício da redacção, acaba por ser o que mais me interessa. Por ser o nível mais alto desta metodologia de aprendizagem, mas também, por ser o que estimula a imaginação. A livre associação de ideias, canalizada por um tema.
O patamar final será, a criação pura. Inventar a partir do nada. Da folha em branco, do silêncio, à obra. Sem limitações, seguindo um fio condutor definido pelo próprio autor e não por outrem.

Sempre admirei quem o consegue fazer. Independentemente da simplicidade ou da complexidade da obra resultante, atribuo um valor inestimável á criação. Apenas, por ser isso mesmo, criação. Algo que não era e passou a ser. Algo novo.
Aprecio especialmente o visceral, sem filtro, sem objectivo aparente, sem propósito evidente. Sem porquê. Mesmo que feio. Novo, não é sinónimo de beleza.

Considero que a arte, seja ela qual for, quando sujeita a uma finalidade, fica relegada para o papel de veículo. Meio. Sendo a mensagem que transporta, a finalidade, o “core” da obra. A sua razão de ser.
Em tempos achei que a obra, sem mensagem, se resumia a um exercício. Um conjunto de fórmulas. Funcional é certo, mas vazio.
Hoje, não concordo.

Uma das funções da arte é, precisamente, jogar com a presunção da mensagem embutida. A criação que nos obriga a pensar, a tentar descortinar a lógica, o fio condutor no meio daquilo tudo. É a obra perfeita. Obriga o individuo a explorar. Sair da sua zona de conforto, despir-se de preconceitos e abrir a mente ao diferente. A imaginação induz imaginação. Perfeito.
Afinal, a tal lógica, o tal fio condutor, a mensagem. Depende em absoluto da interpretação do receptor. A forma como é vista, depende em absoluto de quem vê. Com a sua obra, o autor, criador, apenas deu o mote. O resto… é da inteira responsabilidade do receptor.

Não retiro valor aos artistas que ficaram pelo patamar da “cópia” ou do “ditado”, nunca atingindo o nível da “redacção”. Muitos, tornaram-se exímios nesses exercícios. Outros tantos até fazem vida disso. O título de “artista” assenta-lhes como uma luva. Mas não são criadores. Não pariram absolutamente nada.
Este facto não me impede de os apreciar. E até, em casos raros, admirá-los. Pelo impecável profissionalismo com que executam. Eu… nem ouso aspirar a tal imaculada execução. Sou demasiado condescendente comigo próprio, vulgo preguiçoso, para dedicar as horas necessárias á causa, de modo a conseguir executar daquela forma… Por vezes, perfeita.

No entanto, crio. Sem vergonha nenhuma.
Simplista ou mesmo simplório, crio.
Porquê? Porque, como já disse, admiro quem cria. Os meus heróis são os criadores. Sigo essa corrente. A dos meus heróis. Vítima da minha auto indulgência, nunca chegarei longe no percurso. Mas tenho outra certeza: É a direcção que faz sentido.

Não tenho culpa. Foi a metodologia de ensino da minha altura…