09/04/2026

Vivian Maier (1926-2009)

Leis genéricas elaboradas com base em excepções mataram a Fotografia de Rua. Há cinquenta anos qualquer cidadão não se importava, até gostava, de figurar numa fotografia. Hoje, é um risco (legal e social) fotografar transeuntes. O inerente papel documental da Fotografia de Rua transcende o elemento artístico da imagem capturada. Além do exercício artístico, há todo um contexto de época que se perde.

A ameaça da edição e manipulação digital não bastava, foi-lhe adicionado o condicionamento da cultura de cancelamento. A Fotografia de Rua, útil inúmeras vezes para validação histórica em urbanismo, arqitectura, património industrial, património natural, hábitos e costumes, guarda roupa e moda, mobilidade, ciência e tecnologia, foi remetida para o irrelevante.

Há uns anos, um projecto científico na área da meteorologia, propôs-se a documentar os ciclos meteorológicos do planeta com a maior exactidão possível, de modo a melhorar os modelos existentes de previsão. Para isso, foi solicitado ao cidadão comum que cedesse fotografias ou filmes onde constasse na imagem evidencias do tempo que fazia na altura. Era fundamental acompanhar as imagens com o local, data e hora, do registo. Desde a imagem mais antiga à mais recente, tudo era útil. A adesão foi massiva e, o resultado repercutiu-se no incremento da fiabilidade dos modelos de previsão meteorológica usados hoje.

A Fotografia de Rua, a Fotografia Vernacular, teve um papel significativo na contribuição.

Celebro Vivian Maier e seu legado de Fotografia de Rua, pela efeméride do seu falecimento a 21 de Abril, em 2009. E, por ser exibida em Portugal, novamente, uma exposição do seu trabalho, desta vez, no Centro Português de Fotografia.

Mas na realidade, assinalo uma época de liberdade, entretanto desaparecida.



(Para completar o cinismo, o cartoon foi gerado por Inteligência Artificial)




Sem comentários:

Enviar um comentário