25/04/2010

I'm with stupid.

A vulgar conversa de circunstância é composta por uma serie de frases feitas, retórica, e uma serie de conceitos abstractos perfeitamente infantis. A conversa de circunstância, ou conversa de merda, como a vulgarmente chamamos em privado, não passa de um encadeamento de frases e temas, ensaiados, decorados de modo a entabularmos dialogo sem nos comprometermos com nada, sem tomarmos qualquer posição. Discurso universal. Dá para tudo. Sem querer dizer absolutamente nada.

Aceito isto, exclusivamente, num cenário de exploração. Ou seja, os interlocutores não se conhecem, estão a entabular relações sociais pela primeira vez. É todo um jogo de apalpar terreno. Avaliar, julgar, etiquetar. Passada esta primeira fase de aproximação, a conversa de merda, já não tem cabimento.

Então porque é que com determinadas pessoas, velhas conhecidas, a relação não passa da cepa torta? Da conversa de merda? Não seria mais acertado concluir que ali não há eco e prosseguir caminho?
Certo.
Não pode ser.
Não pode ser porque é família. Não pode ser porque é colega de trabalho. Não pode ser porque é vizinho. Não pode ser porque… E a conversa de merda eterniza-se.
Relações vazias. Amigos do Hi5 ou do Facebook.

Com determinadas pessoas, podem passar anos de afastamento. No reencontro, pegam no ponto onde tinham deixado a interacção. E continuam. Um rápido debriefing, talvez? Um update curto, só com os highlights do que se passou no interregno. A possibilidade da reavaliação nem sequer se põe. Voltar á conversa de merda? Estaca zero, apenas porque passou tempo? Que raio?!

Quando sou confrontado com isto. E não foram poucas as vezes. Fica no ar a incógnita: O gajo não se lembra de mim? Arrependeu-se da avaliação que me fez? Teoria da conspiração? Emprenhou pelos ouvidos? Sim, porque de vez em quando somos confrontados com as press-releases sociais acerca de nós próprios e ficamos chocados. A nossa imagem pública tomou vida própria. Anda por aí a fazer e a dizer coisas em nosso nome.

Bah!

Se uma relação social regressa á conversa de merda por a nossa imagem pública ter mais credibilidade que nós próprios, é porque daí nunca devia ter saído.
Não deixa de doer ver a proximidade e cumplicidade de outros tempos ser amarfanhada e deitada ao lixo por um punhado de frases feitas.

Das frases feitas, muito comuns na conversa de merda, esta merece lugar de destaque: "Politica?! Não ligo a isso!" Como quem diz: "Sou intelectualmente superior a essa merda!"
Tem uma forte componente cómica ao ser proferida por um ser humano. Por definição, um animal politico. Quase tão hilariante quanto: "Uma organização de anarquistas".

Inspiração e expiração: 25 Abril 2010.


«Chegou a altura de lançarmos um grito de revolta e de alerta. Não era um país com este contexto que queríamos quando fizemos o 25 de Abril».

«É inaceitável a crescente injustiça social, o fosso cada vez maior que se está a cavar entre os mais ricos e os mais pobres. Mas que raio de país é este, mas que raio de Justiça é esta?».

«Estamos a contar mal a luta antifascista às gerações mais novas. É preciso continuar a lutar pelo esclarecimento, e para evitar o branqueamento do fascismo, para que a memória não se perca.»

Presidente da Associação 25 de Abril, Capitão de Abril, Vasco Lourenço.

3 comentários:

  1. Anónimo25/4/10

    Eu faço questão de ficar de luto neste dia... de merda... da treta... tal como muitas conversas.

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  2. Não sei quem és, nem como vim parar ao teu blog, também não interessa, mas uma coisa te digo, tudo o que escreves: 5 estrelas. Espero que continues a deitar cá para fora essas ideias ;)podem não agradar a muita gente, mas a mim parece q andaste a vasculhar-me a mente.

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  3. imagino que estejas a falar dos "amigos" cogumelo: mantêm-se no escuro e alimentam-se com estrume.

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