15/04/2010

Another one bites the dust.


No cenário fúnebre, temos tendência a ver apenas o lado bom, positivo, do defunto.
A memória recupera automaticamente para primeiro plano, o gajo porreiro que ele era.
Até podia ser um sacaninha de merda em vida. Na morte... um gajo fixe.

Porquê?

Se calhar, a malta tem um medo primordial, uma superstição que se perde na noite dos tempos, acerca da morte. Principalmente quando se trata de chamar filho da puta ao morto.
Mesmo que merecidamente.
A frase: “Há tantos que não fazem cá falta nenhuma…e os bons é que se vão!” é dita vezes sem conta, em qualquer velório, em qualquer funeral. Sempre que se faz referência aos “idos”. Até com indivíduos que nunca tivemos oportunidade de conhecer pessoalmente, o afirmamos.

Digamos que, se um extra terrestre chegasse cá, e por uma natural má interpretação dos costumes sociais, apenas frequentasse velórios e funerais. Ficava a pensar que todos os seres humanos que morrem são gajos fixes. E em contra partida, há imensos vivos que só cá andam a atravancar.

Olhemos com honestidade. Com consciência, para todos os velórios e funerais que fomos. E quantos desses defuntos seriam verdadeiramente merecedores de trocar de lugar com um escrotozinho, vivinho de merda, que só trava?

Poucos, não são? Honestamente? Muito poucos…

O lado negativo evidenciado em vida, desaparece por completo aquando da tragédia. É bastante confortável pensar que isto acontece, por os sentimentos bons e memórias agradáveis, serem de maior prioridade e importância para nós. Ficando os seus opostos em segundo plano. Mero lixo residual.
Conclusão: Somos positivos. Somos bons. E isso é fixe.

Este gajo dos Type O Negative que bateu as botas, via as coisas sem o condicionamento acima descrito. Aceitava o lado mau, negativo, pelo que ele é. Metade da balança.
Não foi propriamente um génio, mas teve os seus momentos. Não passou por cá anonimamente. E eu só tenho a agradecer por isso.

2 comentários:

  1. Anónimo15/4/10

    Concordo plenamente. Ele fez muitas escolhas infelizes, como posar para a playgirl, e ir a programas rascos. Por causa do dinheiro, por causa da droga. Enfim, mas eu achava o gajo lindo, e não falo só fisicamente. Aquilo ali palpita-me que havia um homem mesmo muito sensivel dentro daquele corpo de monstro. E ja não falo no talento. Lamento nunca tê-los visto ao vivo. E muito mais havia para dizer, mas não me apetece.

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  2. Anónimo17/4/10

    Ai agora já não se pode deixar comments?
    Ganda snob.

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