17/11/2009

Love lost, fire at will.

Queria escrever sobre perda.
Queria gritar ao mundo inteiro que a vida é essencialmente uma sequência atroz de perdas.
Por vezes dotadas de uma voracidade tal que consomem a alma.
Consecutivas, ou intercaladas por vazios obscenos.
Nem a dor mais aguda as apazigua.

Queria cuspir na cara dos sorrisos idiotas, afivelados por embrutecimento puro.
Queria ser sociopata o suficiente para magoar e ofender sem remorso.
Queria ser estúpido o suficiente para ser feliz em futilidade.
Queria ter a esperança, mesmo que vaga, de viver um pesadelo.

Queria entrar nas salas de aula e revelar este segredo tão bem guardado aos putos.
Obliterar a inocência e provocar suicídios em massa.
Desmascarar a mentira do propósito.
Esfregar um manguito na cara de Deus.

Então, quando comecei a escrever, apercebi-me do óbvio.
Se perdi, foi porque tinha.
Se não doesse, era porque não significava nada.

A dor passa.
O vazio da amputação permanece.
Para sempre.

4 comentários:

  1. podes insurgir-te contra a perda na mesma.

    a conversa de só perde quem tem é treta cristã para estarmos contentes com qualquer coisa e ainda nos sentirmos culpados disso.

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  2. calha a todos.
    e mais que uma vez.

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  3. E novidades... não há?
    Mas no meio destas perdas todas, umas atrás da outras... de todas as formas e feitios, vai-se ganhando algo aqui e ali. Cada vez menos é certo.

    Como gostava também de ser o suficientemente estúpida para ser feliz na futilidade. Vejo muito gente que é. Numa camisola nova, num carro novo, num relógio novo... e andam por aí, naquela felicidade parva e ridícula, que só apetece esbofetear até que acordem para vida.

    *

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  4. O vazio acaba por ir sendo preenchido por uma data de coisas. (Não me atires já uma pedra e não me faaçs um manguito na cara, é a fraze que costumo dizer a mim mesma para me convencer, ok? )
    Gostei de te descobrir
    Beijinho

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