Queria escrever sobre perda.
Queria gritar ao mundo inteiro que a vida é essencialmente uma sequência atroz de perdas.
Por vezes dotadas de uma voracidade tal que consomem a alma.
Consecutivas, ou intercaladas por vazios obscenos.
Nem a dor mais aguda as apazigua.
Queria cuspir na cara dos sorrisos idiotas, afivelados por embrutecimento puro.
Queria ser sociopata o suficiente para magoar e ofender sem remorso.
Queria ser estúpido o suficiente para ser feliz em futilidade.
Queria ter a esperança, mesmo que vaga, de viver um pesadelo.
Queria entrar nas salas de aula e revelar este segredo tão bem guardado aos putos.
Obliterar a inocência e provocar suicídios em massa.
Desmascarar a mentira do propósito.
Esfregar um manguito na cara de Deus.
Então, quando comecei a escrever, apercebi-me do óbvio.
Se perdi, foi porque tinha.
Se não doesse, era porque não significava nada.
A dor passa.
O vazio da amputação permanece.
Para sempre.
17/11/2009
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podes insurgir-te contra a perda na mesma.
ResponderEliminara conversa de só perde quem tem é treta cristã para estarmos contentes com qualquer coisa e ainda nos sentirmos culpados disso.
calha a todos.
ResponderEliminare mais que uma vez.
E novidades... não há?
ResponderEliminarMas no meio destas perdas todas, umas atrás da outras... de todas as formas e feitios, vai-se ganhando algo aqui e ali. Cada vez menos é certo.
Como gostava também de ser o suficientemente estúpida para ser feliz na futilidade. Vejo muito gente que é. Numa camisola nova, num carro novo, num relógio novo... e andam por aí, naquela felicidade parva e ridícula, que só apetece esbofetear até que acordem para vida.
*
O vazio acaba por ir sendo preenchido por uma data de coisas. (Não me atires já uma pedra e não me faaçs um manguito na cara, é a fraze que costumo dizer a mim mesma para me convencer, ok? )
ResponderEliminarGostei de te descobrir
Beijinho