Não considero as gajas diferentes de nós. Os gajos.
Ficam excluídos deste grupo os gajas.
Homos, larilas, paneleiros e rabetas. Não é que eu seja homofóbico, mas sinto alguma lealdade ao meu grupo de amostragem.
Pois é, sou heterosexual profundo. Fui assim (inutilmente) diagnosticado. Confesso-o. Assumo-o. Considero o corpo da mulher um templo consagrado ao prazer. A gaja que vem a acompanhá-lo é que na maior parte das vezes, destoa. Encontrar uma combinação que rime, revela-se uma dificuldade.
Biologicamente as gajas não são diferentes dos gajos. Têm precisamente a mesma coisa. Só que em sítios diferentes e em momentos diferentes.
Afortunadamente, os sítios diferentes encaixam uns nos outros com perfeição. Até parece que foi feito de propósito.
A mesma coisa não se pode dizer dos momentos diferentes. O carrossel emocional incendiado de hormonas das gajas, não encaixa na perfeição com a explosão hormonal de decadência lenta dos gajos.
A puberdade é o "ground zero" do desencaixe hormonal.
Já as gajas estão perfeitamente cientes do poder que detêm, ainda os gajos estão: WOW!
É difícil não estar WOW! Erecções involuntárias e orgasmos espontâneos tomaram posse de uma cena que até agora só servia para mijar. E mijar já era fixe. WOW!
Com esta pequena dessincronia as gajas ficam em vantagem, um passo á frente dos gajos. Aprendem cedo que a simples insinuação de sexo, leva os gajos a fazer de tudo.
Algumas gajas passam o resto da vida a pensar que descobriram a chave mestra.
Alguns gajos passam o resto da vida escravos da cenoura pendurada na ponta da vara.
Para os mais equilibrados, esta pequena diferença acaba por ser um tumulto menor no percurso. Tende a ser posta na ordem por outras prioridades emergentes.
Se umas quantas “onas” a borbulhar na corrente sanguínea não justificam o abismo colossal que nos separa. Onde está então o ponto de divergência?
O meu voto vai para a educação.
As gajas só por serem gajas têm direito a uma serie de relaxes.
São mais mimadas. São mais protegidas. São mais engraçadas. São mais giras.
São candidatas perfeitas para o papel de “mini-eu” para as mãezinhas e de “fui-eu-que-fiz” para os paizinhos.
Os gajos já não. Andam algures entre o "Raisparta! Tás tal e qual o teu pai!" da mãezinha e o "Levas uma punheta por esse focinho que te viro! Cabrão do puto!" do paizinho.
Condicionamentos e alienações á parte. As gajas estão pouco habituadas a ouvir “não”.
Os putos no geral estão cada vez mais deficientemente preparados para a derrota.
As gajas então…
Habituadas a conseguirem tudo o que querem. Em bébé por serem engraçadinhas, em jovens por serem girinhas e precoces, finalmente em adultas por serem BOAS.
Bem… mesmo as foleiras, se forem anatomicamente correctas, safam-se bem.
Uma facilidade de um lado, desequilibra a balança e torna-se uma dificuldade do outro.
Como é que um gajo lida com uma gaja que não entende um “não”? Que não computa uma derrota?
Tem sempre uma desculpa, tem sempre uma razão, tem sempre um motivo, tem sempre uma lógica, tem o direito de distorcer essa lógica, tem direito a argumentação transversal não relacionada, tem direito a chantagem emocional e finalmente chegámos á que interessa: tem direito a chantagem sexual!
A contra medida de um gajo, á chantagem sexual de uma gaja, chama-se violação. E é passível de punição criminal.
Plano B. Mijar fora do penico. Em muitos casos é pior castigo que a cadeia.
Plano C. Engolir o sapo e dar razão á gaja. Chegado a este ponto é irrelevante se a tem ou não.
Plano D. Lavar a roupa á mão por tempo indeterminado. Ficou para o fim por alguma coisa, certo?
As gajas são iguais aos gajos.
Os gajos estão mais habituados ao “não”. Sabem perder.
Esta mecânica assegura que os gajos desenvolvam a amabilidade, a cortesia, a paciência, a tolerância, a condescendência. Adaptação ao meio. Instinto de sobrevivência.
O número de casos de violação mantém-se relativamente baixo.
Afinal as gajas têm sempre razão.
08/10/2009
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AH AH AH
ResponderEliminarConsidero o corpo da mulher um templo consagrado ao prazer. A gaja que vem a acompanha-lo é que na maior parte das vezes, destoa. Encontrar uma combinação que rime, revela-se uma dificuldade.
E na falta de encontrar um combinação que rime... o que é um homem acaba por preferir?
Um templo decrépito por fora e riquíssimo por dentro, ou o inverso?
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