A preocupação obsessiva com direitos de autor e registos e cópias e… whatever, leva-me a concluir que basicamente toda a gente quer vender algo. Ou pelo menos suspeitam que as suas produções, por mais modestas que sejam, podem eventualmente, talvez, quem sabe, um dia, ter algum valor tangível em papel-moeda.
Somos todos artistas natos, mas como em Portugal não dá para viver só da arte… o mercado é muito pequeno e tal, já a mãezinha dizia para cortar o cabelo e arranjar um emprego a sério.
Guardamos o artista na gaveta e arranjamos o tal emprego a sério, porque as contas para pagar não se compadecem com as dificuldades de mercado e os poucos Gigs agendados. Só o deixamos sair da gaveta quando o chefe não está a ver. Apenas sair. Não deixar á solta.
Nesses momentos que supostamente abrimos a válvula de descompressão, imaginamos a vida despreocupada que vamos ter quando o nosso Myspace for descoberto por uma editora multinacional. Ou então quando a pessoa certa passar por acaso pelo nosso blog, reconhecendo imediatamente o verdadeiro valor da nossa arte e nos proponha a realização de um sonho.
Por isso toda a gente regista tudo e protege contra cópia, seja que cretinice for.
Antes precaução que arrependimento.
Eu cá, como sou mais ou menos do contra, acho que ficaria lisonjeado se um manfio ou matrafona copiasse ou usasse algo feito originalmente por mim.
Primeiro:
Significava que o meu trabalho era suficientemente bom, para outros estarem interessados em assinar por baixo.
Segundo:
O autor desse, digamos, abuso, estaria a reconhecer com o acto, a sua própria derrota. Ficava esclarecida a questão de quem tem a pila maior.
Apesar de debaixo de grande polémica e por caminhos tortuosos, hoje já existem segmentos de ADN humano com Copyright. A ironia implícita entre a génese humana e o capitalismo brada aos céus.
Acredito que o pináculo do ridículo vai ser quando alguém registar os direitos de autor da roda. E provar com mapa genético mais árvore genealógica a ascendência ao fulano que a inventou há milénios.
A descoberta do fogo também é uma excelente candidata.
Quanto a mim, interessa é produzir. Bom, mau, medíocre, assim asssim. Produzir.
Criar é um exercício. Quanto mais se pratica mais afinado se fica. Ou talvez não.
Ser mais ou menos do contra é uma existência difícil.
19/10/2009
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Grande verdade!
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