01/10/2009

Doorway to heaven.

Ontem saí de casa com a sócia. Quando estávamos dentro do elevador ela perguntou-me: “Trouxeste a chave de casa, Certo?” Respondi automaticamente que sim. Mas para a sossegar remexi na bolsa e exibi um molho de chaves na mão.
Eram as chaves da casa da minha mãe.

Foda-se. O porta-chaves é igualzinho ao das chaves de minha casa. Quando alguém me voltar a oferecer dois porta-chaves iguais, agradeço sorridente. E logo que o autor da prenda vire costas, mando imediatamente um deles ás couves.
Estávamos na rua e TODAS as chaves dentro de casa.
Foda-se. Foda-se. Foda-se.

Acusámo-nos mutuamente pela responsabilidade do sucedido e fomos atender os compromissos do dia. De trombas. Quando regressasse-mos ao ninho, logo se via.

Os bombeiros para virem arrombar a porta, levam cinquenta euros e precisam da autorização da polícia. A polícia, além de me identificar, precisava da confirmação da minha morada. A maneira de a obter era irem perguntar aos meus vizinhos se eu realmente morava ali.
Resumindo: um granel do caraças, uma porta destruída e cinquenta euros com os cães era o cenário imediato no horizonte. Mais o prejuízo de uma porta, ombreira e fechadura novos.
Além de que já passava da hora de expediente. Arranjar um técnico especializado de portas e fechaduras para ir lá arranjar o estrago àquela hora, ia ser impossível. A perspectiva de passar uma noite de porta aberta também não era animadora.

Nada de precipitações. Vamos com calma. Vamos lá ao local olhar para aquilo e avaliar melhor as linhas de acção possíveis.

Quando regressámos, tivemos a sorte de entrar no prédio atrelados á vizinha do terceiro esquerdo que vinha atafulhada de sacos do supermercado. Subimos ao andar do ninho e inspeccionámos o problema. Discutimos as opções durante um bocado.

Tomei uma nota mental para fazer um post no blog acerca das gajas acharem que têm sempre razão.

Armei-me em macho cheio de truques e tentei forçar a fechadura com o cartão de pontos da BP. Nos filmes resulta. Nas series de TV resulta. Nos livros resulta. Perpetrado por agarrados ao pó e mal intencionados em geral… resulta. Comigo não resultou.
Só faltava pôr em pratica os grandes meios. Se era para escavacar, pelo menos escavacava eu. A porta é minha, porque havia de ser outro gajo a divertir-se com ela? Ainda por cima comigo a pagar!

Tomei balanço e atirei-me de ombro contra a porta. Uma, duas, três, quatro vezes. Até que cedeu e escancarou-se.
Durante todo este processo nem UM único vizinho apareceu. Aparentemente incomodam-se mais com musica em volume moderado a horas decentes do que com o cagaçal resultante de um arrombamento. Totalmente amador ainda por cima.

Telefonei a um amigo meu que tem, e pasme-se, sabe mexer num berbequim e essas cenas assim. Ele veio lá ter a casa com a mala da ferramenta (não, não são as cuecas), compusemos a coisa et voilá: Problem solved.

Durante o resto da noite fartei-me de sublinhar á sócia as minhas qualidades de macho que tinham sido postas á prova e vencido com mérito o problema gigantesco com que fomos confrontados.

Infrutífero. Não tive direito a queca.

5 comentários:

  1. Anónimo2/10/09

    Muahahha! É por essas e por outras que viver no rés do chão traz as suas grandes vantagens.
    Arranja uma cópia da chave e dá a alguém de confiança para quando precisares.

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  2. Good things happen to good people... e o inverso também se aplica.

    Eu estou é à espera do post acerca das gajas que têm sempre razão. (essas parvas!!)

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  3. A palavra de confirmação que me apareceu foi "pilish"... acho que veio muito a propósito.
    HAHAHAAH

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  4. Quando for assim falas comigo!uma pelicula RX e já está!Abraço do Pena mais novo!!

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  5. AHahah Percebo-te muito bem!
    Já chamei os bombeiros duas vezes. Aqui levam um pouco mais barato (25€)
    e abrem a fechadura com a tal película desde que a porta não esteja fechada à chave.
    Claro que também bloguei sobre isso, ams pelos vistos continuo a deixar as chaves em todo o lado.
    Já tenho uma cópia das chaves no carro de uma amiga... :)

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