31/10/2009

“Are you local?!”

Neste fabuloso mundo novo, pelo qual já manifestei sobejamente a minha inadaptação, as heranças do mundo velho, são pungentes.
A herança enaltecida pelo fabuloso mundo novo, muito acima de todas as outras, é a TRETA.

Há tretas pequenas, grandes, assim-assim. Há tretas óbvias, dissimuladas, secretas. Há quem viva para as tretas e há quem viva das tretas. Chovem tretas do céu e brotam tretas do chão.
Sem dúvida esta é a mais popular. Uma verdadeira crowd pleaser.

A postura individual reflecte-se na colectiva e a treta generaliza-se pela estrutura social. Há empresas da treta. Sociedades da treta. Negócios da treta. Políticos da treta. Partidos da treta. Instituições da treta. Educação da treta. Informação da treta. Cultura da treta.

Posto desta maneira é um exercício de retórica a roçar o chato.
Só deixa de o ser quando a treta se cruza connosco, no nosso quotidiano, e há contacto directo.

Na tentativa de divulgar umas humildes e modestas investidas pseudo artísticas, andei á procura de blogs ou sites que se propõem a isso mesmo. Achei uns quantos, bastante assumidos, assinados por fulanos que já não são propriamente anónimos. Para surpresa minha, verifiquei que uns, de divulgação tinham pouco ou nada, dedicando-se a guerras pessoais e masturbação intelectual. Outros, não dispunham de qualquer meio de contacto. Nem um e-mailzito! Nada!

Ora bem. Se quem quer divulgar não consegue contactar quem divulga, como raio arranjam eles material para divulgar? Andam pela net horas, dias, semanas a fio a calcorrear URL’s em pipa, para descobrir pela casualidade algo que se adeqúe aos seus critérios? Ou divulgam apenas as coisas dos conhecidos? Dos amigos? Da malta do “meio”?

“Are you local?!”
(Referência a uma serie da BBC Britcom. Dá um ar culto, fazer referências obscuras e rebuscadas.)

As tretas mais pequenas e perigosamente consideradas “normais” são as tretas precisamente mais graves. Revelam que a TRETA está aceite. Encaixada na normalidade da realidade. Faz parte do cenário.

O que o torna num cenário da treta.
Desse não estou interessado em fazer parte.

“Yes. Bullshit is definitively, positively, local!”

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