11/09/2009

Whassup dawg?

Vejamos.
Uma pessoa educada. Uma pessoa responsável. Um trabalhador. Uma pessoa de família. Atravessa uma passagem de nível sem guarda, sem olhar, sem espreitar, sem prestar atenção. E… PAFFF!!! O pior acontece.

Como fogo em palha seca, a atribuição de culpa, a responsabilidade, tem de cair em cima de algo. O maquinista? A empresa ferroviária? O estado?

No caso português, como em muitos outros, todas as vias vão dar á mesma Roma. O estado.
O maquinista trabalha para a ferroviária. A ferroviária pertence ao estado. Mesmo que privatizada, quem manda lá, manda porque o estado assim o designou. O estado.

Fui um bronco! Porque fui descuidado, distraído, imprudente. A avaliação do momento, da acção, foi manifestamente deficiente. E levei com uma locomotiva pela ré. Ora toma! Foi o que me custou a distracção.

Em que ponto é que o estado pode ser responsável?

No ponto onde voluntariamente, quer, essa responsabilidade? De modo a transformar-me num débil mental de quem se tem de tomar conta, até para atravessar uma passagem de nível? E daí extrapolar uma lei a aplicar á globalidade dos meus pares?

Ou talvez no ponto onde eu fui educado em jardins-de-infância, escolas primárias, escolas secundárias e universidades do estado. E olha! Saí assim! Distraído. A culpa (ora cá está ela) é de quem me formou! Nem para atravessar uma passagem de nível sirvo!

E formar intencionalmente distraídos para mais tarde haver uma necessidade premente de tomar conta deles? É assim um salto de fé tão grande? Ou pelo contrário, é uma coisa de tal maneira evidente que eu estou para aqui a fazer figura de urso a constatar o óbvio? Em publico, ainda por cima?! Oops! Distracção minha!

Quero poder levar o meu cão á praia. Ele é o meu melhor amigo. Hoje não posso ir a quase local nenhum (publico ou privado) com ele. Graças a alguns javardos que extrapolaram uma lei a partir de um incidente pontual, com cães de outros javardos, em tudo iguais aos primeiros javardos, excepto na farpela, hábitos de higiene e escalão de IRS. Em Portugal um chihuahua é considerado tão letal e perigoso quanto um dobermann com problemas de ego.

Com uma mão proíbem-me de levar o cão quase para todo o lado. Com a outra esfregam-me na cara o abandono dos animais no verão. Que porra! Hotéis para animais? Eu não tenho nota para pagar hotel para mim! Quanto mais pagar hotel para o cão! Isto partindo do princípio que existe hotel canino num raio geográfico razoável. Resta-me leva-lo comigo. Que era a primeira opção, de qualquer modo.
Neste ponto, enveredo pelo caminho da fé.
Rezo para não ser autuado.
Por o cão:
Não estar "chipado". O meu cão não é um objecto Orwelliano. Ponto.
Não viajar dentro de contentor apropriado. Não meto o meu melhor amigo numa jaula. "Melhor amigo" é uma expressão que para mim ainda tem significado. Canino, mas mesmo assim.
Defecar na via pública. Ao lado da poça de vomitado, urina e lixo dos excessos da noite anterior. Até a mim me pareceu o local adequado, imagino para o cão.
E finalmente a mais absurda de todas: Ser autuado por brincar com o cão e um frisbee na praia.

Um cliché que em Portugal é proibido por lei. Por mais imbecil que pareça.

Estou sinceramente farto de ser vítima de extorsão.
Querem dinheiro? Levem-no todo! Mas deixem-me viver em paz!

Quero conduzir o MEU carro, pago por MIM, com seguro pago por MIM, a queimar gasóleo pago por MIM, em estradas construídas com o MEU dinheiro, sem cinto de segurança. Se me espetar e morrer (ou pior) o problema é única e exclusivamente, MEU!

Quero andar de bicicleta sem capacete. Mais uma vez, se me espetar e morrer (ou pior), o problema é única e exclusivamente, MEU. Ainda por cima aqueles capacetes ridículos fazem parecer que a bicicleta vai a ser montada por uma glande gigante, estriada ás cores. Ridículo.

Quero fumar onde me apeteça. Sou educado o suficiente para dominar o vicio o tempo que for preciso. Basta pedirem-mo. Se passar um fim de semana em casa de alguém que não fuma, eu não fumo. Agora a lei substituiu a boa educação? Transforma-se os fumadores em foras da lei porque há pessoas que não se sabem comportar em sociedade?
Mija-me a tampa da sanita, deixa-me macacos colados debaixo do tampo da mesa da cozinha, deixa-me a toalha de rosto cheia de pelos púbicos, mas não te atrevas a fumar! Que eu chamo a bófia!

Não quero ser vacinado. Nem para a gripá nem para o raio que os parta! Se vier aí um bicho com o meu nome lá escrito, que venha. Cá estou para negociar. Se perder… problema exclusivamente, MEU!
Se perder, quer dizer que os meus genes não resistiram ao desafio da evolução. Não merecem cá andar. Acho que já sou homenzinho para saber perder com dignidade. Pois é. Já fomos tão piedosamente afastados da morte, da dor e do sofrimento em geral, que só de pensar nisso temos que tomar um calmante, dois analgésicos, meio anti-pirético e um anti-biótico de espectro largo só para sossegar. Bom… a figura da mortalidade e o seu papel na civilização dava outro blog.

Resumindo:
Deixem-me ser eu a escolher a minha vida.
Não me peçam para votar. Que assim estão a insultar-me. A mim e ao meu cão.

1 comentário:

  1. Como é que se bate palmas por escrito, cláp cláp? Seja. CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP (pausa em relação ao tabaco porque não sou cínico) CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP CLÁP ...

    ResponderEliminar