A resposta para o sentido da vida e todas as coisas é… 42.
Estou a chegar lá. Vertiginosamente.
Desta posição privilegiada posso afirmar que o grande computador não via um boi quando cuspiu aquilo.
Das minhas interacções com malta que já por lá passou, constato que a iluminação não foi uma das experiências adquiridas. Andam aos papeis tanto ou mais que os outros a montante.
E mais. Todos, mesmo todos, desejam regressar a 24. Mas com memoria do desapontamento que foi 42.
Em conversa com machos alfa mais tenros, a pergunta que salta logo com um sorriso sardónico é: “Então e a potência? É a mesma? Ou já fraqueja?”
Sim. A potência é a mesma. O grau de exigência é que é outro. Já não serve qualquer buraco de tijolo. O sexo passa a ter uma componente mais mental e menos hormonal. E ás vezes, mais manual.
Até lá fode-se o corpo. De lá em diante fode-se a mente.
Fode-se a mente para arranjar maneira de manter o corpo, todo fodido, a cumprir os mínimos olímpicos.
Chegados aqui, a auto-estima já não leva mossa se ela estiver a mascar pastilha elástica ou a ler banda desenhada durante o acto.
Inicia-se o período das quecas á Condor. Com dor aqui, com dor ali…
No que toca a rituais de acasalamento a experiência é definitivamente sobrevalorizada.
As gajas mais velhas estão-se a cagar para a eventual experiência que um fulano da mesma faixa etária ou superior possa oferecer. Experiência já elas têm. Querem é cartões de crédito Gold e carros de fabrico alemão. Os gajos mais novos são mais manipuláveis. É preciso cautela, a experiência não anda muito longe da ratice.
As gajas mais novas, consideram cota qualquer pessoa com mais de dois meses de vida que elas. E fogem a sete pés de um cota capaz de articular uma frase com sentido. Preferem putos cuja capacidade de diálogo se resume a balbuciar coisas tipo ya, tipo tás a ver, tipo curte aí a cena chavala, tipo na descontra. Que tenham papás com cartões de crédito Gold e carros de fabrico alemão. E que não se importem com as manchas de vomitado e esperma seco nos bancos de cabedal. Desde que os papás continuem a educá-los (?) dessa forma indulgente por tempo indeterminado… tásse bem.
Sabedoria? Lições?
Uma: Aprende-se que o corpo humano não consegue metabolizar etanol de uma forma eficaz. Por isso pondera-se com mais calma a distância entre o incrivelmente enfrascado e o inusitadamente bêbado.
Duas: Aprende-se que o cérebro humano consegue gerir com elegância o caos gerado por doses massivas de THC. Passa-se a contemplar os destinos bizarros onde a propulsão de improbabilidade nos leva, com curiosidade cientifica em vez de gargalhadas involuntárias.
Também passamos a observar pormenorizadamente tudo o que sai do nosso corpo. E eventualmente guardamos. Nunca se sabe se vamos precisar de peças.
42 está mais próximo da quantidade de cabelos restantes no escalpe do que da resposta para o sentido da vida e todas as coisas.
A minha humilde homenagem a dois Senhores com inestimáveis serviços prestados á contra cultura.
Douglas Adams (1952 – 2001).
George Carlin (1937 – 2008).
22/09/2009
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:)
ResponderEliminarobrigada por proporcionares esta leitura matinal à malta da cubosfera.
beijos