23/08/2009

Born to loose.

De vez em quando dou uma voltinha pelo blogocubo.

[A expressão blogosfera parece-me verdadeiramente o oposto do objecto que a justifica. Blogocubo faz mais sentido, pelo menos para mim. Ainda me encontro em processo de decisão quanto á natureza da sua relação comigo, de modo a reconhecê-la como expressão utilizável com propósito significativo. Já anteriormente tentei, não gostei da sensação.]

E de vez em quando, encontro uma pérola ou outra digna de aplauso.

[Mantendo-me coerente com o meu objectivo exorcista, não exibo links para blog nenhum, assim como não peço a blog alheio que exiba link para aqui. Independência acima de tudo. Fiz este blog para destilar veneno. Haver pessoas a contemplar o processo e a degustar o veneno destilado, é dano colateral. Orgulhosamente só.]

A maior parte das vezes esta actividade resume-se a vasculhar lixo. O equivalente ao zapping mas sem sofá, controlo remoto e televisão. Mas o princípio é o mesmo.

O que de facto tenho encontrado a rodos, é cromos a quererem vestir a pele de lobo.

Por exemplo:
Gente, que publica conteúdos eróticos ou até mesmo pornográficos, usando linguagem brejeira, mas que se sentem ofendidos com comentários também brejeiros enviados pelos seus visitantes.
Ora bem. Fotos de órgãos sexuais, do acto sexual em si (por muito artísticas que sejam) acompanhadas por textos pormenorizadamente descritivos do mesmo, recorrendo a expressões tais como: “foder”, “broche”, “mamada”… e outras do mesmo lote, muito me espantaria que não provocassem comentários no género: “Tu queres é que eu te empale essa cona com a minha verga. Ó puta do caralho”.
E é aqui que o autor(a) do blog reage mal. Não só não publica o comentário como ainda faz um post de indignação contra os javardos que enviam comentários a condizer.
Se não querem leitores xunga a enviar comentários xunga, não façam um blog xunga. Get it?

Nunca pensei que a Joan Collins tivesse tanta coisa a ensinar a tanta gente. Vá-se lá perceber.

O sexo é uma forma de arte ao ser (bem) praticado. PRATICADO. Em fotografia, vídeo ou texto, não passa de voyeurismo. Fetiche masturbatorio. Se fosse vivo, Freud ficava sem sítio para se virar nesta coisa do blogocubo.

Outro exemplo:
Gente, que pelo histórico de conteúdos publicados aparenta uma abertura de mente a 360 graus. Aparentam uma experiencia de vida rica e diversificada que lhes removeu aquele diabinho tendencioso e julgador que aparece a esvoaçar á volta da cabeça sempre que confrontados com comportamentos diferentes do seu, ou seja, questionáveis do ponto de vista da sua grelha moral ou social.
E depois, pontualmente, publicam textos que elaboram (se calhar inconscientemente) o seu tribunal privado onde desempenham o papel simultâneo de juiz e júri sobre comportamentos tribais, alternativos, opções estéticas e outras preferências que de alguma forma contribuem para definir o indivíduo como tal.

Para mim, uma tatuagem de um unicórnio a foder um golfinho sobre um arco-íris, é prenhe de significado e humor. Não era gajo para a fazer. Não encaixa esteticamente nas outras que tenho. Mas entendo-a perfeitamente e até me identifico em certa medida com o conceito implícito.
Ou se calhar ando a ver South Park a mais.

Acabam justamente por denunciar o seu próprio grau de alienação. As fronteiras do seu próprio universo passam a ser visíveis. Afinal a mentalidade é aberta… mas aberta não é escancarada. Olha lá.

Sentem-se verdadeiros fora-da-lei por dizerem sim ao preservativo e á pílula, mas na privacidade respeitam religiosamente a posição de missionário. Canzana é para as putas.

Peço a vossa atenção para o ecrã número dois:

- Ó pai. Como é que eu nasci?
- Vai perguntar á tua mãe. Ela tem mais jeito para traumatizar putos, que eu.
O miúdo ausenta-se por uns momentos e regressa com ar triste.
- Ela diz que agora não pode. Está a dar aula de dança de varão e a seguir tem reunião da Tuppersex.
- Ai! Ai! A tua mãezinha é a prova viva daquela expressão muito antiga: “Os que sabem fazer fazem. Os que não sabem fazer ensinam”. Não tenho sorte nenhuma… porra!
Ora bem… como é que eu te vou explicar isto? Já deste na escola o verbo “adoptar”?
- Sim!
- Então é assim:
Eu adoptei um pénis erecto. A tua mãe adoptou uma vagina molhada. Fomos bué da malucos e adoptámos o preservativo. Adoptámos loucamente o coito selvagem, mas só na posição de missionário! Dois meses e onze mil dólares depois, apareceste tu! O adoptado cambojano mais lindo do mundo!

Definitivamente. South Park a mais.

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