01/07/2009

Screw you guys, I'm going heume!

Já não presto atenção ao que se faz em Portugal em termos literários há muito tempo. Décadas mesmo. Esta antipatia, se assim se pode chamar, adquiri-a ainda jovem (e inconsciente), apenas por um único motivo, que passo a explicar.
Praticamente qualquer autor português, de qualquer época, de qualquer facção estética, parece ter como objectivo primordial, mostrar a quem lê, a sua superioridade intelectual e sofisticação mundana. Independentemente do tema que é abordado ou estilo narrativo escolhido, parecem acima de tudo pretender que o leitor ao chegar ao fim da obra fique a pensar: “Este gajo é muita culto e escreve muita bem!”. Ao invés de suscitar questões e raciocínios paralelos, ou perpendiculares, obrigar o leitor a pensar, imaginar, questionar, não. Isso fica para segundo plano. O principal é vender a sua própria imagem de erudito e exímio escritor. Com especial relevância para os malabarismos técnicos no domínio da língua nativa.

Faço parte daquela esmagadora maioria de portugueses que só lê nas férias. E coisa que não faço, de certezinha absoluta, é andar com um dicionário e uma gramática atrelados para decifrar o Português correctíssimo, mas tortuoso, usado e abusado por estes conterrâneos.

Recentemente peguei em dois livros “Made in Portugal”. A postura continua rigorosamente a mesma.

É o que habitualmente refiro como “música para músicos”. Entretidos em contendas intelectuais e tecnicismos linguísticos de ponta, não coçam onde é preciso. Ou se coçam, coçam com uma daquelas mãozinhas de prata maciça com cabo longo de marfim cravejado de pedras preciosas.
E assim andam as mentes brilhantes cá do burgo. A prestar um inestimável serviço á cultura que os pariu.

A falência do capitalismo urge a ser discutida, mesmo com calinadas á mistura. A sobrevivência sustentada. A cada vez maior omnipresença do Big Brother tem de ser questionada com caralhadas pelo meio. Temas não faltam. Infelizmente os indígenas mais aptos e credenciados para tal, continuam demasiado concentrados no seu próprio umbigo. É uma pena.

Se calhar é uma questão de tradição.

Se eu lesse jornais, visse televisão ou acompanhasse determinados blogues, já estaria a par do status quo. Desta forma, tive de pagar para ver. Com a minha curiosidade contribui para o abate de mais não sei quantas árvores e subsequente poluição do meio ambiente. Como acho que aí já passámos largamente o ponto de não retorno… que se lixe.

Sim, os livros continuam caros como o raio. Definitivamente destinam-se á elite com capacidade de os adquirir. Compreender, é um assunto totalmente distinto.

E cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas.

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