03/12/2008

Jingle bells

Chegámos aquela altura do ano em que os balanços, retrospectivas e outras revisões e avaliações são postas em prática. Bem. Pelo menos são verbalizadas á força toda. Pôr verdadeiramente em prática… tenho sérias dúvidas.

Se efectivamente houvesse uma pausa para balanço do ano decorrido, a todos os níveis haveria conclusões e implicitamente correcções para o ano seguinte. Nada disso acontece.
Por esse motivo, pode-se concluir que correu tudo bem. Não há nada a mudar. Mesma estratégia para o ano seguinte. É esta a nossa postura, tanto individual como colectiva. Usando um dialecto algo estranho para mim: Em equipa que vence, não se mexe.

Já senti a necessidade de estar informado sobre o futebol, algo que me desinteressa profundamente, apenas para conseguir estabelecer referências com determinados indivíduos. Todas as outras escolhas e preferências eram diferentes e a interacção incontornável. Teve de ser. Á conta do meu pragmatismo, hoje, sei quem é o Cristiano Ronaldo e o buraco de onde saiu. Que ignaro e pobre de espírito eu era até então!

Agora, em altura de balanços e avaliações, vêm-me dizer que devia estar orgulhoso em ser português. Isto por causa do reconhecimento atribuído a um qualquer atleta português, pelos seus pares. A sua glória pessoal recai sobre todos os seus compatriotas. Incluindo eu.
Claro que ao tomar conhecimento deste feito grandioso, todos os meus problemas se esfumaram.

Por inépcia do departamento de marketing, o mundo inteiro ignora os grandes feitos dos Portugueses. No entanto eu devo sentir-me orgulhoso porque um compatriota conseguiu fama e fortuna? No futebol?!
Então se essa gloria em segunda mão recai sobre mim, facto consumado. O que acontece no caso BPN?
Houve vários compatriotas meus, que jogaram, enriqueceram para além da minha imaginação, ficaram famosos e até apareceram na TV. O que recaiu sobre mim? A conta para pagar.
Além da vergonha de partilhar nacionalidade com esses parasitas.

Este ano, para os portugueses, só há Natal na Madeira. A malta aqui no continente não pode. Temos de ficar a trabalhar horas extraordinárias. Para pagar outro género de jogos.

Aguardo ansiosamente pela passagem do carteiro. Estou na expectativa de receber um postal de natal do Manchester United. A dar-me os parabens e a desejar gloriosas e ricas festividades. Enviado á cobrança. Claro.

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