03/11/2008

Get your motor running

Na ida, o tempo de viagem aparenta sempre ser mais longo que no regresso. O impaciente e repetitivo “Ainda falta muito??” da ida, contrasta com um tenso “Já?!” saturado de frustração, na vinda. Como se um bloco maciço e negro de inevitabilidade pendendo sobre as nossas cabeças, finalmente desabasse sobre nós.

Pelo mesmo percurso, com as mesmas condições físicas, a percepção de tempo é diferente.
A justificação pode ser dada pela expectativa da descoberta na ida, e na vinda, pela melancolia do terminar dessa mesma experiência. Deixar de mencionar que o regresso ao lar trás sempre algum reconforto, mesmo que sufocado, seria tendencioso.

Colocando a situação a preto e branco, ir: bom, regressar: mau.
Fica a experiência. O que se passar entre o “ir” e o “vir” pode fazer pender a balança para qualquer um dos lados. Sentir alívio no regresso implica ter tido uma má experiência?
Uma experiência não é caracterizada por “boa” ou “má”. É uma experiência. As experiências produzem resultados, tiram-se conclusões. Nos casos dúbios repete-se a experiência. Mesmo os resultados negativos implicam conclusões. Esse é o objectivo da experiência, concluir, aprender.

Agora um tema totalmente diferente, não relacionado. As férias.
Férias é descanso. Mudança de rotina, mudança de ambiente. Ir sem pressas. O descanso, a mudança de rotina e ambiente, começa logo aí. Sem pressas. Em trabalho, provavelmente seriam três horas de viagem imprópria para cardíacos. De férias é sem pressas, sem nada marcado, sem reservas, sem GPS, sem ideia de onde comer ou dormir. E claro, teso com sempre. O meu destino, deixo que seja ele a escolher-me. Habitualmente revela-se pela paisagem natural. Obriga a parar. Motiva a ir descobrir caminhos sem asfalto que revelam os últimos redutos ao cimento.
Uma metrópole fervilhante também serve.
Se umas bejecas revelarem indígenas simpáticos e gastronomia apetecível, fico. Fico até restar apenas os meios suficientes para a viagem de regresso.

Comprar férias em pacote, ou ir tradicionalmente para o mesmo destino ano após ano, não providencia a experiência. São rotinas diferentes em locais diferentes. Daí o regresso ser deprimente. Não houve realmente grande alteração em primeiro lugar. O factor novidade, a descoberta é fundamental, sacia uma fome para a qual as ferias são apenas louça e talheres. Meros instrumentos da refeição.

O regresso? Tive a experiência. Venho diferente. A depressão do regresso não me atinge com tanta violência. Sinto inclusive alguma curiosidade para ver até que ponto a nova percepção vai enfrentar as velhas rotinas.


Nepias. Nada de diferente. As mesmas rotinas imbecis, estupidificantes. Que treta. A depressão do regresso afinal é um genuíno sinal de alarme.
Ignorem a verborreia acima.
Ir: bom. Regressar: mau.

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