13/11/2008

Circle jerks

Gosto de círculos. Círculos, bolas, esferas. É a forma geométrica perfeita.
Sim, sim. Eu sei. A pirâmide coisa e tal… qualquer pirâmide, em ultima análise, é contida num círculo ou esfera, consoante o numero de dimensões envolvidas.
Para mim é o círculo. Nada a fazer.

Leonardo Da Vinci foi uma vez posto á prova por um eventual mecenas. Basicamente foi-lhe pedido para demonstrar a sua mestria na pintura. Leonardo dirigiu-se a uma tela em branco e num movimento único, pintou um círculo perfeito. Não fez a caricatura do indivíduo a carvão em cinco minutos. Não pintou qualquer paisagem ou objecto. Desenhou apenas um círculo, perfeito. Colocaram-lhe uma única questão e ele respondeu a todas. Além de auto confiança e virtuosismo, o sacana tinha sentido de humor.
Parece fácil? Tentem. Perfeito. Á mão. De uma só vez. Á primeira tentativa.

Apesar de eu estar longe de ser uma autoridade em círculos, houve alguém, com uma paixão de longa data por rectângulos, que se mostrou interessado em misturar círculos com os seus rectângulos.
Palavra puxa palavra, trocámos referências, mostrei-lhe alguns círculos desenhados por mim, suscitou algum interesse, levantaram-se questões… e… experimentou-se.
Primeiro encontro entre azeite e água. Segundo encontro entre cerveja e vinho. Terceiro encontro entre… está visto que até chegar á imperial e camarão, há um longo caminho a ser percorrido. O supra sumo, imperial com imperial é utópico… pelo menos, não tenho memória disso.

Invertidas as posições, presumo que as dificuldades seriam semelhantes.
Já abordei o tema num Post anterior, a especialização como factor limitador.

Estava a contar as peripécias do ajuste estético entre formas a um amigo meu, que tenho em conta como apreciador de toda a geometria. Quando ele me chama a atenção para o paternalismo que eu estava a imprimir ao discurso. Acusei o toque, sem deixar de ficar surpreendido com esta leitura. Estava mesmo a soar assim? Não era essa a intenção. Nada mesmo.

Sem ser preciso dar muita corda á imaginação, consigo visualizar alguém perfeitamente banal sem quaisquer competências de relevo, a sofrer agudamente de um complexo de superioridade (megalomania é o termo técnico), a discursar num púlpito com aquela lanterna e microfone de haste fina, que os oradores habitualmente acariciam em movimentos repetitivos involuntários, para uma plateia de virtuosos das mais diversas áreas, vitimas de complexo de inferioridade grave. Ou o inverso. Nas costas de cada cadeira há um dispensador de toalhas de papel. No chão, entre os tornozelos, está um balde para o vómito. Venha ele de cima ou de baixo.

Na mesma conversa chegámos á conclusão que, quando não se tem nada para dizer, deve-se permanecer calado.

Já que toquei num assunto de um Post anterior, agora toco noutro. Será que falar das dificuldades de terceiros, fica agora atrás da cortina de correcção política? Dizer que “fulano de tal” tem dificuldade a estacionar o carro, eu nem por isso. È a mesma coisa que dizer: “Eu sou muita bom, ele é uma merda”?
Saber estacionar facilmente o carro não é propriamente a mesma coisa que descobrir a penicilina.

Tenho todo o respeito pelo Fleming, mas a descoberta dele, especificamente a mim, nem aqueceu nem arrefeceu. Nasci alérgico á substância.

De facto, é raro termos a noção real da imagem que passamos. Ou pelo menos como é entendida pelo receptor. Já alguém me disse, que eu, com a minha figura, postura e tom de voz, se largar um “foda-se” em voz alta, seja onde for, ponho tudo em sentido. Não tenho essa percepção. Não é assim que sou. Não é essa a maneira com que me sinto bem comigo mesmo. Quero dizer, a semântica sim, o resto não.

Experimentei ontem. Funcionou tal e qual.

Agora vou ter de aturar as recriminações da minha sócia sei lá durante quanto tempo. Mas ela na altura também se pôs em sentido!



PS – Não faço a mínima ideia se a história do Leonardo Da Vinci é verdadeira. Por isso, se alguém quiser Googlar um bocado, naquela de me chamar bronco, força!

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