Alguém escreveu que o sintoma universal de inteligência é a capacidade de rir de si próprio. O meu pescoço gira automaticamente na direcção do outro prato da balança, para descobrir que rir dos outros não é sintoma de coisa alguma. É apenas sentido de humor de sanidade discutível.
Fora disto ficam automaticamente as pessoas que não têm sentido de humor.
É pena. Conheço um molho delas. E de facto torna-se difícil avaliar não só a inteligência, mas uma série de outros vectores da personalidade na ausência do sentido de humor.
O olhar parado e o ar impassível quando o momento é de mijar a rir, desconcerta-me. No outro extremo, a malta que ri por tudo e por nada, dado o devido tempo, também esgota a paciência. Algures pelo meio fica a virtude.
Ter a visão de espectador sobre algumas situações, põe a descoberto o absurdo, revela ironias, mas o humor intrínseco só é perceptível a uma mente desenvolvida o suficiente para lhe responder com riso. Somos verdadeiramente inteligentes quando identificamos o absurdo e a ironia ou quando lhes achamos piada? Clamo aqui o direito aos territórios da inteligência cínica!
Nos planos existenciais mais… digamos, práticos, ser o protagonista de uma cena de fazer “figura de urso” e achar-lhe imediatamente uma piada do caralho, depende muito das consequências práticas dessa mesma cena. E por vezes algumas dessas consequências só são palpáveis muito tempo depois, daí achar piada em tempo real ser uma precipitação perigosa. A precipitação anda de mãos dadas com outras coisas que não a inteligência.
A capacidade de rirmos de nós mesmo, afinal não requer só sentido de humor e inteligência. Requer reflexão também.
Há pessoas que para sua própria segurança deviam ser inibidas de reflectir em frente a um espelho. Correm o sério risco de morrer a rir.
09/10/2008
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Intenso e tão real, o teu texto.. e são assim as pessoas e a vida..
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