Economia, finanças, banca. A alquimia do século XXI.
Ninguém sabe muito bem o que é ou como funciona. Se calhar por isso mesmo, os especialistas da área são considerados eruditos, génios.
É uma Ciência. Tem prémio Nobel. Tem por base os recursos naturais, finitos, do planeta. É preciso tirar um curso superior para ser iniciado. Provoca ataques de pânico á escala global. O derramamento de sangue estimula-a. A escravidão e a mão-de-obra infantil engordam-na. Uma convulsão sua e o planeta treme.
Por esta altura já o meu instinto de sobrevivência lança efusivos sinais de alarme.
Todo este poder se encontra a ser estudado pelos tais alquimistas, magos. Economistas, financeiros, banqueiros e bancários. Especialistas da área, com cursos superiores e doutoramentos e pós-graduações e especializações. Estas especializações têm títulos tão obtusos como “Crescimento e Desenvolvimento Económico”. Ora se o “Crescimento e Desenvolvimento” fosse económico, não estaríamos na situação em que estamos. Na realidade o “Crescimento e Desenvolvimento” é caro. Caríssimo.
Jogos de palavras á parte. Tanta gente, tantos recursos e tempo gasto. E ninguém deste grupo teve competência para avisar os demais acerca do obstáculo monstruoso já ali á frente. A mesma coisa aconteceu com o piloto e vigias do Titanic, todos eles especialistas da sua área, certamente. O final não foi feliz.
Agora sim, o meu instinto de sobrevivência ficou histérico.
Olhemos para o paradigma da especialização. Temos um problema? Contratemos um especialista. É suposto ele saber tudo, mas mesmo TUDO sobre o assunto.
Devido ao nosso tecto de computação não nos permitir saber efectivamente tudo sobre tudo, atribuímos esse conceito a Deus, dividimos o conhecimento em áreas que por sua vez se vão subdividindo cada vez que se atinge o esgotamento. Quanto mais nos especializamos sobre algo, menos aptos estamos para tudo o resto. E cada vez mais afastados do conceito inicial. O zénite será o saber TUDO sobre nada.
Tropeço no oposto de Deus.
De facto os extremos tocam-se.
As ciências económicas lidam com números. Entre esses números, seguramente, em alguma altura há-de ter aparecido um tal de 666. Um ramo especializado da Matemática, a Estatística, confirma-o. Como a mensagem só seria perceptível a um especialista em Teologia… nenhum outro especialista lhe prestou a atenção devida. Et voilá.
Para mim e muitos outros não especialistas em Economia, ficam as questões:
Como é que a banca passa, num piscar de olhos, de um cenário de lucros fabulosos, mesmo em tempos de crise, para um cenário de apoios do estado senão isto afunda-se?
E, porque é que quando corre bem, os tais lucros fabulosos são distribuídos por uma elite restrita, mas quando corre mal, pagamos todos?
As hipóteses de resposta são apenas duas: divinas ou mágicas.
21/10/2008
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