14/09/2008

Punk’s not dead.

O Punk não está morto.
Esta frase é repetida vezes sem conta em músicas, t-shirts, autocolantes e graffitis. Mais para auto doutrinar do que para convencer outrem, mesmo que muito distraído durante as ultimas duas ou três décadas. Como movimento (anti)social, sim, morreu há muito tempo. Como corrente musical, não. É mantido vivo alimentado intravenosamente a dólares e MTV. A corrente musical Punk de hoje é videoclips, merchandising e royalties. Nada diferente de outra corrente mainstream qualquer. Foi industrializado, massificado, explorado. Irónico, não?

Foi tipificado e etiquetado. O instrumental de ritmos rápidos, estruturas simples e refrão apelativo, foi clonado e repetido até ao enjoo. O conteúdo lírico outrora prenhe de revolta, crítica social e política, frontal, brutalmente directo, foi muito polidinho, decorado com florzinhas e nuvens cor de rosa. Expressa agora dúvidas existenciais e paixonetas avassaladoras de teenager. Alguém algures fez um estudo de mercado, nitidamente.

Ainda existem resistentes, mas estes, ao levar alguns mitos urbanos e maus exemplos á letra, perdem-se em nuvens de pó e lagos etílicos, doutrinam a granel o “bate-na-avó” e quando finalmente roçam assuntos sérios, os neurónios sobreviventes conferem pouca credibilidade á mensagem.

É pena que a actualidade tão rica em temas polémicos, não seja aproveitada pelos seus dignos contestatários. Há um vazio na expressão musical. Aquilo a que em tempos idos o movimento Punk deitou unhas e dentes, cresceu, multiplicou-se e reina. Apropriou-se, corrompeu e explora a etiqueta Punk. Eliminou os politicamente incorrectos e por consequência pouco vendáveis. Os inconformados esclarecidos e articulados desapareceram para dar lugar a uma horda de frivolidade comercial frenética.

Onde estão as vozes da ira e da revolta? O que me chega são queixumes de downloads ilegais e pirataria. Gostava de ouvir berros de indignação contra o estado das coisas e as coisas do estado. Mas não. Repetem a ladainha de como a pirataria está a ameaçar a sua sobrevivência, bem amestrados. Para quem não sabe, um BOM contrato entre uma banda e uma editora é genericamente abaixo dos dez por cento sobre as vendas. Subtraindo os custos com estúdio e se não houver endorsments, vulgo patrocínios, o custo dos instrumentos e equipamentos. Finalmente divide-se o restante pelos elementos da banda. Uma ninharia. Só se torna dinheiro a sério quando se atinge o patamar da promoção e distribuição internacional. Tirando esse clube de eleitos, as bandas basicamente sobrevivem das actuações ao vivo e alguns biscates. A Internet que alguns responsabilizam por quebras significativas de vendas, é a mesma Internet que lhes proporciona uma relação custo/benefício utópica para promover e comercializar os seus produtos.
Cínico quanto baste. Excelente tema para uma canção Punk.

Onde estão as vozes da ira e da revolta? Se procurar bem, se calhar encontro uns ecos no Hardcore, umas reverberações no Industrial. O espírito anda aí. Mas está fragmentado, dividido. Talvez só o tempo consiga cristalizar numa só peça coerente e contundente a atitude que faz falta.

Fico calmamente na minha toca, á espera… fight the system, and the system will fight back.

1 comentário:

  1. Anónimo25/9/09

    Hermm... Sabes, tem muito a ver com o conceito punk.. O que é? O que se ouve na mtv não é punk? Eu pelo menos não o considero. Venham de lá os rótulos: o que a mtv passa é emo, rock, pop rock, indie...
    Punk está em Exploited (que sempre se recusaram a aparecer nesse canal) e Ramones, não está em Blinks 182 ou Green Days que distorceram todo o movimento resumindo-o a um rock "da praia" para teenagers. Podem ter adoptado o estilo de roupa, mas o cérebro continua a ser de galinhas...

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